Tonton Zola Moukoko: a lenda do CM que o futebol não viu

Tonton Zola Moukoko é um dos jogadores de culto da saga CM/FM, daqueles que ficam para sempre na história do jogo.

Hoje é lembrado pelo que podia ter sido, e não pelo que foi.

Tonton Zola Moukoko no CM
Tonton Zola Moukoko no CM com 15 anos

Uma infância difícil

Nasceu em Kinshasa, no antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo. Depois da morte dos pais, refugiou-se na Suécia com o irmão mais velho, Fedo.

Apesar de custar a habituar-se ao frio escandinavo, destacou-se na formação do Djurgårdens, ao ponto de ser considerado uma das maiores promessas do mundo. Olheiros de gigantes europeus, como o Milan, começaram a aparecer.

«Os pais de um amigo meu foram de férias à Grécia e encontraram um artigo sobre mim, como um dos jovens a ter em conta no futuro. Acho que estava em 20.º lugar.»

Aos 15 anos recebeu a nacionalidade sueca e foi logo chamado às seleções jovens. Fez testes no Empoli e no Bolonha, mas escolheu Inglaterra. O destino do pequeno e ágil médio ofensivo foi o Derby County.

«O Derby era a melhor opção para mim e para a minha família, por ser mais fácil a adaptação cultural e à língua inglesa.»

Famoso sem saber porquê

Em Inglaterra começou nos juniores, a rodar com a equipa de reservas, onde fazia exibições excelentes. Mas havia algo que o deixava confuso: cada vez mais gente aparecia só para o ver jogar.

«Era tudo muito estranho. Jogávamos contra equipas pequenas e pediam-me autógrafos. Não percebia o que se passava, até que um amigo me perguntou se eu não sabia que era uma estrela de um jogo de computador.»

Tonton Zola Moukoko Derby County
Tonton Zola Moukoko no Derby County

Nova tragédia

Pouco depois, a tragédia voltou a bater-lhe à porta. O irmão e mentor, Fedo, morreu. Tonton ficou deprimido e deixou os estudos e o futebol para segundo plano, o que lhe trouxe problemas com a direção do Derby. O contrato terminou em 2002, sem nunca ter jogado pela equipa principal.

Seguiram-se dois anos afastado do futebol.

«O meu irmão continuava a ir ao Congo em trabalho. Um dia foi envenenado e acabou por morrer. Passei por muitas dificuldades. Não queria saber mais de futebol, precisei de muito tempo para lidar com a perda. E não ajudou ter as portas meio fechadas na Suécia, porque o Djurgårdens não foi compensado quando saí. Deixei de ser chamado às seleções jovens e não me senti bem-vindo no país.»

De volta à casa adotiva

Já na Suécia, Sven-Göran Eriksson, então selecionador de Inglaterra, tentou ajudá-lo a regressar num clube mais pequeno. Mas Tonton queria clubes maiores, e a resposta era sempre a mesma: não.

Seguiram-se seis anos em clubes modestos do país (Carlstad, Sleipner e Syrianska) e uma breve aventura na Finlândia, no Atlantis. A carreira nunca teve o empurrão de que precisava.

Decidiu então apostar noutra coisa. Com amigos, fundou o Kongo United, na Suécia, em homenagem ao país onde nasceu, onde continuou a jogar e passou também a treinar.

Tonton Zola Moukoko com as suas cores actuais do Kongo United
Tonton Zola Moukoko com as suas cores actuais

Sem volta a dar

Olhando para trás, admite que se arrepende de algumas decisões, mas sabe que não há volta a dar.

Na família, diz-se feliz, com a mulher, que conheceu aos 12 anos na escola, e o filho, Zion, que prefere ver na política do que no futebol.

E sobre o Football Manager e os fãs, deixou algumas curiosidades:

«A primeira vez que tive contacto com o jogo foi quando me convidaram para ir aos estúdios da produtora. Até hoje não paro de receber telefonemas de todo o mundo a pedirem-me uma camisola e a darem-me os parabéns no dia de anos.»

Tonton Zola Moukoko
Tonton Zola Moukouko com a sua esposa e filho

Quantas vezes contrataste o Tonton ao Derby? E também o recordamos nas Lendas do velhinho CM.

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