Quem não se lembra do goleador bielorrusso que, no CM 01/02, era uma verdadeira máquina de golos?

Hoje falamos da lenda: Maxim Tsigalko. Tinha 19 anos e jogava no Dínamo Minsk. Custava uns trocos e garantia golos às dezenas, às vezes centenas por época, em qualquer clube do mundo que o contratasse.
A realidade era outra
Maksim Tsyhalka (o nome verdadeiro) era apenas um júnior do clube bielorrusso. Só na época a seguir a ser sensação no jogo conseguiu ser titular na equipa sénior.
Em cinco épocas fez 53 jogos e 23 golos, e estreou-se pela seleção em 2003, logo a marcar, num particular com o Uzbequistão (só jogaria mais uma vez). Foi o suficiente para receber um convite de Portugal, no verão de 2004.
Foi no Funchal, no Marítimo, que teve a oportunidade de mostrar a qualidade que fez dele um dos maiores ícones do CM. Mas, quando parecia a porta para o estrelato, foi o princípio do fim: uma lesão nos ligamentos logo no primeiro treino impediu-o de mostrar o que valia. Voltou depressa ao seu país, onde passou muito tempo parado a recuperar.
O único golo pela seleção, com assistência de outra lenda do CM: Sergey Nikiforenko.
Uma carreira curta
Entre 2005 e 2008 passou por várias equipas. Terminado o contrato com o Dínamo Minsk, no fim de 2005, mudou-se para o Naftan, também da Bielorrússia, e seguiram-se o Kaisar, do Cazaquistão, o Banants, da Arménia, e o Savit Mogilev, de volta a casa. Foi aí que terminou a carreira, aos 26 anos, por já não aguentar as dores.
«Por favor, digam que preciso de ajuda»
Em 2018, numa entrevista à Gazzetta.gr, Tsigalko contou que estava a passar por dificuldades:
«Ninguém me falou do jogo, porque nessa altura ninguém o conhecia no meu país. A primeira vez que soube o quão bom era no jogo foi quando um jornalista russo me contou. Fiquei surpreendido. Não sabia que o CM existia, por isso limitei-me a rir. Mais tarde percebi que podia ter ganho muito dinheiro com isso, mas já era tarde.»
«Aos 23 anos tive uma lesão grave que me obrigou a deixar o futebol aos 26. Depois comecei a trabalhar nas obras, como pedreiro, por 5 dólares por dia, e mais tarde 20. Mas as costas e as pernas não aguentavam um trabalho tão pesado, e tinha graves problemas de saúde.»
«Quando deixei o futebol, ninguém me ofereceu trabalho, ninguém me ligou. Tenho dois filhos e a única coisa que quero é ter um trabalho, para enfrentar a vida de cabeça erguida e ser um bom pai. Por favor, digam às pessoas que preciso da vossa ajuda.»
Atualização: a morte, aos 37 anos
A 25 de dezembro de 2020, o Dínamo Minsk deu a notícia que ninguém queria ler: «No 38.º ano de vida, o coração de Maxim Tsigalko deixou de bater.» Tinha apenas 37 anos.
O clube não revelou mais pormenores e a causa oficial nunca foi tornada pública. Mais tarde, a imprensa inglesa falou em insuficiência cardíaca. O que se sabia é que a saúde dele estava fragilizada há anos: as lesões que lhe acabaram com a carreira e o trabalho pesado nas obras tinham deixado marcas, como ele próprio contou em 2018.
No Dínamo, o clube onde se formou, deixou 65 jogos, 28 golos, um campeonato e uma Taça da Bielorrússia.
A despedida dos treinadores virtuais
A notícia correu mundo em poucas horas. Nos fóruns do CM 01/02 e nas redes sociais, milhares de fãs despediram-se daquele a quem chamavam «o melhor jogador de sempre do CM».
Muitos recordaram a petição lançada depois do apelo de 2018, que juntou mais de 1.600 assinaturas para lhe tentar arranjar trabalho, e a frase que a acompanhava: «Mudou a vida de milhões de jogadores. Agora é a nossa vez de lhe facilitar a vida.»
Deixou dois filhos. E deixou também uma coisa rara no futebol: um jogador que quase ninguém viu jogar, mas de quem uma geração inteira se lembra.
Toda a equipa do FMPortugal envia as mais sentidas condolências à família e aos amigos de Maxim Tsigalko. Obrigado por todos os golos, Maxim. Descansa em paz.
Quantos golos marcou o Tsigalko no teu save do CM 01/02?
Lê também
Fontes: Gazzetta.gr, traduzido a partir do FM Scout · Gazeta.ru (25/12/2020) · SPORTbible (16/11/2023)




