Já sabes como é: por muito que gostemos de gerir os grandes da Europa, há um tipo de desafio que nos vicia muito mais. Pegar num clube que já foi grande, que tem taças na vitrine cheias de pó, e devolver-lhe a glória perdida. Juntámos aqui 20 ideias de “sleeping giants” (gigantes adormecidos) para experimentares assim que o FM27 chegar, espalhados por todos os continentes, indo às fontes que sabemos que a comunidade adora usar para se inspirar: threads de Reddit, fóruns dedicados ao FM e sites especializados em ideias de saves.
Uma coisa importante antes de começarmos: fizemos questão de deixar de fora clubes ricos ou com donos milionários. A ideia aqui é mesmo sofrer um bocadinho antes de conquistar tudo outra vez.
Desta vez organizámos a lista por nível de dificuldade, do desafio mais “acessível” (posição 2) até ao mais brutal de todos (posição 20), pensando sempre no caminho que terias de percorrer até voltares a erguer troféus. A única exceção é a posição 1: o Torreense fica sempre à frente de todos os outros, e não é por acaso. É um clube português, é a nossa casa, e a história real que estão a viver agora mesmo (2026) merecia destaque próprio, independentemente do nível de dificuldade.
SC União Torreense (Portugal)
Tinha mesmo de ser este a abrir a lista, e já disséssemos porquê: é um clube português, e este espaço é para os celebrarmos primeiro que tudo. Mas mesmo esquecendo essa regra, a história do Torreense em 2026 já seria suficiente para o colocar no topo de qualquer lista de “sleeping giants” do mundo. O clube tornou-se a primeira equipa da Segunda Liga a vencer a Taça de Portugal, batendo o Sporting CP na final, e garantiu assim lugar na fase de liga da nova Liga Europa. Depois perdeu o playoff de acesso à Primeira Liga frente ao Casa Pia e ficou no segundo escalão. Resultado: uma equipa da Segunda Liga portuguesa a competir na Liga Europa, algo que só o Beira-Mar e o Leixões tinham feito antes. O Torreense nunca foi um “gigante” no sentido tradicional (nunca disputou a Primeira Liga na era profissional moderna com regularidade), mas em 2026 tornou-se, de repente, um dos nomes mais falados do futebol europeu. Consegues fazer melhor que a realidade e subir de divisão enquanto disputas a Europa ao mesmo tempo? E o crescimento não fica por aqui: o clube acabou de anunciar a construção de um novo estádio, que vai substituir o histórico Manuel Marques e acompanhar o crescimento desportivo e institucional do emblema de Torres Vedras, com a construção da bancada nascente a marcar a primeira fase da obra. Este é o desafio mais especial da lista, e não vai haver disputa sobre isso.
Rosenborg BK (Noruega)
Começamos os desafios “propriamente ditos” por aquele que consideramos o mais acessível: o Rosenborg já está no escalão principal norueguês, o Eliteserien, e a distância até voltar ao topo não é assim tão grande. Falamos de um clube com 26 títulos noruegueses no currículo, incluindo uma sequência de dezasseis títulos em dezoito épocas consecutivas entre 1988 e 2006, uma das dominações mais absolutas da história do futebol europeu moderno. Chegou mesmo a um quarto de final da Liga dos Campeões em 1996/97, uma proeza notável para um clube escandinavo. Por essa altura, jogadores como Erik Mykland e um jovem John Carew passaram pelo clube antes de seguirem carreira lá fora. Desde 2018 que o Rosenborg não conquista um troféu importante, e as contas mais apertadas complicam o regresso rápido ao topo, mas a base é sólida: infraestrutura de clube grande, adeptos fiéis e uma história recente demasiado boa para ser esquecida. Um ótimo ponto de entrada para quem quer experimentar este tipo de desafio sem começar completamente do zero.
Kispest-Honvéd (Hungria)
Este é provavelmente o clube com a história mais lendária de toda esta lista. O Honvéd foi a base da seleção húngara dos anos 50, os famosos “Mighty Magyars”, e teve nas suas fileiras nada menos que Ferenc Puskás, um dos maiores jogadores da história do futebol, ao lado de nomes como Sándor Kocsis e Zoltán Czibor. Catorze títulos húngaros fazem dele um dos clubes mais decorados do país. Ao contrário de muitos outros nomes desta lista, o Honvéd continua no escalão principal (NB I), o que o torna um desafio mais equilibrado: não precisas de subir de divisão, só de voltar a ser competitivo a sério. Leva sete anos sem festejar um título nacional, o que para um clube com este peso histórico já é motivo de sobra para uma reconstrução. Um projeto ideal para quem quer sentir o peso da história sem se meter em divisões demasiado baixas.
OFK Beograd (Sérvia)
Sucessor direto do lendário BSK, cinco vezes campeão jugoslavo entre 1931 e 1939, o OFK Beograd é um dos clubes historicamente mais respeitados da Sérvia, apesar de hoje em dia viver constantemente à sombra dos gigantes da capital, Estrela Vermelha e Partizan. Joga na Super Liga sérvia (o escalão principal), mas não conquista um troféu importante desde a independência do país, em 2006, ou seja, há duas décadas. É um clube historicamente conhecido por revelar talento jovem que depois é vendido a equipas maiores, o que por um lado dificulta manter uma equipa competitiva de forma consistente, mas por outro dá-te uma base interessante para trabalhar em qualquer save. Ainda no escalão de topo, o desafio aqui é mais sobre restaurar a identidade e a competitividade do que propriamente sobre subir divisões.
IFK Göteborg (Suécia)
Duas vezes vencedor da Taça UEFA (1982 e 1987), um dos poucos clubes escandinavos a vencer uma competição europeia a sério, o IFK Göteborg tem dezoito títulos suecos na vitrine. Por lá passaram nomes como Glenn Hysén, mais tarde capitão da seleção sueca, e o histórico guarda-redes Thomas Ravelli. Está no escalão principal sueco (Allsvenskan), mas leva 20 anos sem ser campeão, e já esteve mais perto da despromoção do que os seus adeptos gostariam nos últimos anos. É um desafio interessante porque combina uma história europeia genuína com uma liga doméstica competitiva e imprevisível, onde qualquer clube pode surpreender de ano para ano.
Vasco da Gama (Brasil)
Um dos clubes mais tradicionais e amados do Brasil, com quatro títulos brasileiros e a Taça Libertadores de 1998 na vitrine. Por Vasco passaram alguns dos maiores atacantes que o Brasil já produziu: Romário, Edmundo e Bebeto vestiram a camisa cruzmaltina em diferentes épocas douradas do clube. O problema é que a gestão financeira do Vasco tem sido um autêntico pesadelo nos últimos anos, com dívidas gigantescas e já três descidas à Série B desde 2008. Continua na Série A, o que teoricamente facilita o processo (não precisas de subir de divisão), mas o campeonato brasileiro é um dos mais competitivos e exigentes do mundo, e competir lá em cima sem dinheiro para gastar é uma tarefa muito difícil. Um clube com uma das massas adeptas mais apaixonadas do Brasil, à espera de alguém que ponha a casa em ordem de vez.
Club Nacional de Football (Uruguai)
Mais de 45 títulos uruguaios, três Taças Libertadores e três Intercontinentais fazem do Nacional um dos clubes mais bem-sucedidos de toda a história da América do Sul. Por lá passou Enzo Francescoli, um dos maiores craques que o Uruguai já deu ao mundo (e ídolo confesso de um certo Zinedine Zidane), e mais recentemente Luis Suárez começou a sua formação nas categorias de base do clube antes de rumar à Europa. O problema do Nacional não é a divisão em que joga (continua no escalão principal uruguaio, onde é ainda competitivo), mas sim a dificuldade crescente em voltar a competir a sério na Libertadores, torneio cada vez mais dominado pelo poder financeiro dos gigantes brasileiros e argentinos. Um desafio mais continental do que doméstico: o objetivo aqui não é sobreviver no Uruguai, é voltar a ser respeitado em toda a América do Sul.
Club Atlético Independiente (Argentina)
Sete Taças Libertadores, mais do que qualquer outro clube sul-americano, valeram-lhe o apelido de “Rei de Copas” (Rey de Copas). Ricardo Bochini e Daniel Bertoni são dois dos nomes lendários associados à sua história, e mais recentemente foi nas categorias de formação do Independiente que um jovem Sergio Agüero deu os primeiros passos antes de se tornar uma estrela mundial. Em 2013, o Independiente sofreu a primeira despromoção da sua história, algo completamente impensável para um clube deste calibre, e apesar de já ter regressado à Primeira División, continua longe do nível competitivo dos seus tempos áureos. O campeonato argentino é brutalmente competitivo e imprevisível, com rivais históricos como River Plate e Boca Juniors sempre por perto, o que torna este projeto mais difícil do que a divisão em que joga possa sugerir à primeira vista.
1. FC Kaiserslautern (Alemanha)
Tetracampeão alemão e a única equipa promovida a vencer a Bundesliga logo na época seguinte à subida (1997/98), um feito que provavelmente nunca mais se vai repetir. Tem uma ligação profunda à seleção alemã campeã do mundo em 1954: o capitão dessa equipa, Fritz Walter, era um ídolo do clube (o estádio do Kaiserslautern tem mesmo o nome dele), e décadas mais tarde Miroslav Klose, o maior goleador da história dos mundiais, também representou as cores vermelhas do clube. Está há 14 anos sem pisar a Bundesliga, atualmente na 2. Bundesliga, precisando de uma subida de divisão para voltar ao topo do futebol alemão. Um clássico “gigante a dormir” à espera de um treinador que lhe devolva a identidade e a mística do “Betzenberg”, um dos ambientes mais intimidantes que o futebol alemão já conheceu.
1. FC Nürnberg (Alemanha)
Durante muito tempo foi o recordista absoluto de títulos alemães, com nove conquistas antes de o Bayern de Munique o ultrapassar décadas mais tarde. Max Morlock, membro da geração campeã do mundo em 1954, é uma das figuras mais associadas à história do clube. Anda de vaivém entre a Bundesliga e a 2. Bundesliga há décadas, sem conseguir estabilizar-se lá em cima nem voltar a lutar por títulos, atualmente no segundo escalão alemão. É um autêntico “clube dorminhoco” alemão, com uma base de adeptos enorme e fiel, à espera de um treinador com paciência suficiente para o acordar de vez e devolver-lhe a estabilidade que perdeu há tanto tempo.
UC Sampdoria (Itália)
Campeã italiana em 1990/91 e finalista da Taça dos Campeões Europeus em 1992, a Sampdoria teve na dupla Gianluca Vialli e Roberto Mancini, sob o comando de Vujadin Boškov, uma das parcerias de ataque mais lembradas do futebol italiano da altura. O clube esteve à beira da falência em 2023 e vive agora na Serie B a lutar contra a despromoção, já no terceiro escalão em algumas épocas recentes. É das histórias mais tristes do futebol italiano contemporâneo, mas também uma das que mais espaço deixa para um final feliz: precisa de subir de divisão e ao mesmo tempo reconstruir a saúde financeira do clube, um duplo desafio que testa qualquer treinador.
Ruch Chorzów (Polónia)
Catorze vezes campeão polaco, o maior número de títulos do país durante muitos anos, e presença nos quartos de final da Taça dos Campeões em 1975, um resultado notável para a época. O clube é um dos nomes mais respeitados da história do futebol polaco, com uma ligação forte à região industrial da Silésia. Está há 35 anos sem festejar um troféu importante e acabou de descer da primeira divisão, precisando agora de subir de novo à Ekstraklasa antes de sequer pensar em voltar a lutar por títulos. Um projeto de reconstrução clássico, com uma base histórica sólida mas um caminho competitivo pela frente.
Ismaily SC (Egito)
O primeiro clube egípcio a vencer a Liga dos Campeões Africana, lá em 1969, numa altura em que o futebol egípcio começava a afirmar-se como uma potência em África. Depois de 62 anos seguidos na primeira divisão do Egito, um dos períodos de permanência mais longos de sempre no futebol africano, o Ismaily acabou por cair para a segunda divisão, com dificuldades financeiras tão graves que o clube chegou a publicar os dados bancários para pedir ajuda direta aos adeptos. Precisa de subir de divisão antes de sequer pensar em voltar a competir a nível continental, num dos mercados de futebol mais apaixonados e ao mesmo tempo mais complicados financeiramente do mundo.
Tokyo Verdy (Japão)
Bicampeão da J.League logo nos primeiros anos da competição profissional japonesa (1993 e 1994, então ainda como Verdy Kawasaki), o clube teve como principal estrela Kazuyoshi Miura, conhecido carinhosamente como “King Kazu”, uma lenda absoluta do futebol japonês que, incrivelmente, continuou a jogar profissionalmente já depois dos 55 anos de idade. Desde essa altura dourada, o Tokyo Verdy tem passado a maior parte do tempo na J2, longe da relevância que teve na fundação do futebol profissional japonês. Precisa de conseguir a subida à J1 para voltar a competir ao mais alto nível, num país onde o investimento e a organização do futebol continuam a crescer ano após ano.
Sheffield Wednesday (Inglaterra)
Quatro vezes campeã inglesa antes de 1935 e três vezes vencedora da Taça de Inglaterra, o Sheffield Wednesday é um dos clubes fundadores do futebol inglês moderno. Jogadores como Chris Waddle representaram o clube já perto do fim das suas carreiras de alto nível, numa altura em que o Wednesday ainda disputava a divisão principal inglesa. Está há 26 anos fora da Premier League, e para piorar a situação, entrou em processo de insolvência em finais de 2025, depois de uma série recorde de jogos sem vencer. Atualmente na League One (terceiro escalão inglês), precisa de subir duas divisões inteiras para voltar ao topo, num dos sistemas de ligas mais competitivos e mediáticos do mundo. Um verdadeiro gigante caído, e neste momento tudo menos rico.
Pro Vercelli 1892 (Itália)
Sete vezes campeã de Itália entre 1908 e 1922, uma das equipas mais dominantes dos primórdios do futebol italiano organizado, mas sem pisar a Serie A desde 1934/35. Mais de noventa anos de travessia no deserto, praticamente uma vida inteira sem voltar ao topo. Atualmente na Serie C, o caminho de volta implica subir pelo menos duas divisões antes de sonhar com a elite italiana. Se procuras o desafio definitivo de “reconstruir desde os primórdios”, com uma história genuinamente antiga por trás, este é provavelmente o mais extremo de toda a Europa nesta lista.
Akademisk Boldklub (Dinamarca)
Nove vezes campeão dinamarquês, com o auge de sucesso nas décadas de 1940 e 1950, um dos nomes mais respeitados da história do futebol dinamarquês. O AB passou 22 anos fora do escalão principal e só recentemente subiu à 2. Division vindo da terceira divisão, o que significa que ainda precisa de mais uma subida para voltar sequer a jogar no topo do futebol dinamarquês, quanto mais a competir por títulos. Um projeto pequeno em recursos mas com história genuína por trás, ideal para quem gosta de reconstruções lentas e realistas.
Moroka Swallows FC (África do Sul)
Um dos dois clubes fundadores do célebre “derby de Soweto” (o outro é o gigante Orlando Pirates), o Moroka Swallows venceu o campeonato sul-africano em 1965 e ainda levantou a Nedbank Cup em 2009. Em 2024, teve mesmo de vender a licença de participação na primeira divisão a outro clube por dificuldades financeiras graves, caindo para os escalões inferiores do futebol sul-africano. Precisa de subir pelo menos uma divisão para voltar ao principal escalão, e depois disso ainda enfrenta os gigantes de Soweto e o poderoso Mamelodi Sundowns pelo caminho. Um verdadeiro clássico do Soweto à espera de recuperar o seu lugar.
Guarani FC (Brasil)
Guarda um dos feitos mais extraordinários e menos falados do futebol brasileiro: em 1978, tornou-se o único clube do interior do país (fora de uma capital ou cidade litorânea) a vencer o Campeonato Brasileiro, com Careca, mais tarde estrela do Napoli ao lado de Maradona, como grande figura dessa equipa histórica. Atualmente compete na Série C, a terceira divisão brasileira, num dos sistemas de futebol mais competitivos, extensos e imprevisíveis do planeta. Precisa de subir duas divisões inteiras (Série C para B, e depois B para A) para voltar a sonhar com a elite, e isso num país onde a concorrência por vagas é feroz e onde clubes tradicionais lutam ano após ano só para sobreviver financeiramente. Um dos casos mais puros de “gigante adormecido” que existem: campeão nacional genuíno, hoje na terceira divisão.
Os Belenenses (Portugal)
Fechamos com o desafio mais difícil de todos, e também outro português. Campeões nacionais em 1945/46 (o único clube fora do “Big Three” português a conseguir esse feito na era profissional), com três títulos do antigo Campeonato de Portugal na bagagem (1927, 1929 e 1933) e ainda três Taças de Portugal já na era moderna, os Belenenses viveram um dos colapsos mais duros do futebol europeu: chegaram a começar a reconstrução no sexto escalão depois da separação da SAD em 2018, perdendo praticamente tudo, incluindo o direito ao próprio estádio do Restelo. Atualmente na Liga 3 (terceiro escalão), precisam de subir três divisões inteiras para voltarem a sonhar com a Primeira Liga, um caminho longuíssimo e cheio de obstáculos financeiros e estruturais. Se procuras o desafio mais brutal e mais lento de toda a lista, com uma história genuinamente trágica por trás, este é definitivamente o candidato número um. Boa sorte, vais precisar.
Achas que faltou aqui algum “gigante adormecido” que merecia estar na lista? Diz-nos nos comentários qual seria o teu desafio ideal para o FM27!




