Treinadores de Sofá #3 João Araújo: Um analista de um “grande” a analisar o FM

Treinadores de Sofá #3 João Araújo: Um analista de um “grande” a analisar o FM

Para além da componente táctica do jogo, o scouting é uma das ferramentas mais importantes do Football Manager, para alcançar o sucesso no longo prazo.

Nas recentes edições, houve uma nova incorporação nos departamentos de scouting. Os analistas.

Por essa mesma razão, a entrevista de hoje teria de ser com um dos grandes valores da análise de jogo em Portugal, João Araújo, analista da equipa sub-19 do Futebol Clube do Porto.

João Araújo, analista dos Sub19 Portistas
João Araújo, analista dos Sub19 Portistas

POP: Sendo tu um analista, no ano em que ascendeste ao futebol profissional, foi igualmente o ano, em que apareceu a função de analista no Football Manager, função essa, anteriormente englobada nos Scouts do jogo. Consideras que foi um passo em frente rumo ao realismo? E como reagistes ao aparecer no FM?

João Araújo: Sim é mais uma aproximação do jogo à realidade que vivemos hoje no futebol, são funções bem distintas. Para quem joga FM e gosta do pormenor tem mais um item para se entreter e tornar as suas equipas mais competitivas.

Achei imensa piada e senti orgulho obviamente. Fui sempre jogando FM, na altura CM e ao fim destes anos todos poder aparecer  no jogo, mostra-me que todo o percurso até agora feito tem valido a pena, desde o tempo de estudante – Infância /adolescência até agora à idade adulta, o foco naquilo que sempre quis, estar ligado ao futebol.

POP: Existem três atributos específicos no jogo: Apresentar relatórios, Análise de dados de equipas e análise de dados individuais de jogadores. O que pensas dos atributos escolhidos e em qual desses te sentes mais à vontade na tua vida profissional?

João Araújo: Esses três atributos são importantes porque contemplam a informação qualitativa e quantitativa não só para descobrirmos e interpretarmos o que nos esconde o adversário, mas também para nos dar informações válidas sobre a nossa equipa e o respetivo momento, é mais uma aproximação do jogo à realidade, sempre com as devidas distâncias. Na minha vida profissional sempre me senti mais à vontade com a informação qualitativa/ descritiva, com aquilo que vejo e retiro na análise do jogo, mas sempre com muita atenção com aos dados quantitativos, quando bem filtrados e interpretados são cruciais na informação a passar.

POP: Apesar de trabalhares maioritariamente com a descodificação dos sistemas tácticos e suas dinâmicas, na tua função de analista, também podes oferecer input sobre possíveis contratações de jogadores. No Leixões, alguma vez foste procurar como estavam no jogo, determinados alvos vossos, nem que fosse como uma última camada de informação, para validar a tua opinião?

João Araújo: Estamos a falar do FM, talvez a maior base de dados do mundo de jogadores e em que cada vez mais os valores atribuídos ao jogador se aproximam do que ele é realmente, bem como nos valores a atribuir acerca do seu potencial futuro. Houve sim curiosidade em ver alguns jogadores, tentar encontrar mais informação acerca dos mesmos.

POP: E sem ser profissionalmente, quando vês um jogador de uma equipa menos conhecida na TV a fazer um bom jogo, nunca sentiste curiosidade para ver como está no FM?

João Araújo Agora nem tanto, porque não tenho muito tempo para jogar ehehe mas sim, principalmente nas grandes competições, Europeus e Mundiais mas com mais curiosidade nos jovens talentos que iam surgindo. Um Europeu que me fascinou foi o de sub 21 em 2007, em que a Holanda venceu e comecei a seguir alguns craques que estavam a despoletar, tal como Drenthe, Maduro, Vlaar e Babel.

João Araújo

POP: Voltando ao início, como surgiu esse interesse pela função de análise de comportamental das equipas? Tinhas algum passado no futebol? E o que consideras mais complicado: Análise de jogos de formação ou sénior?

João Araújo: Este interesse pela análise do jogo sempre existiu e a determinada altura da vida, decidi que seria a minha porta de entrada para o futebol profissional. Além de ter jogado futebol quando era mais novo, foi como treinador de formação que iniciei o meu percurso, ao mesmo tempo fazia análises de várias equipas e ia publicando nas redes sociais.

Na formação ou no futebol sénior temos excelentes propostas/ ideias de jogo que torna aliciante o meu trabalho para esmiuçar o adversário, a grande diferença para mim surge na informação que é disponibilizada, no futebol sénior temos acesso a várias plataformas para vermos os jogos, o que não acontece infelizmente na formação. Na 2ª Liga por exemplo, há um acordo entre clubes/ analistas de colocar numa plataforma os seus jogos em casa para que todas as equipas se possam estudar entre si, em igualdade de circunstâncias.

POP: E o bichinho pelo CM/FM onde apareceu no meio disso tudo?

João Araújo: Foi mesmo na escola, na altura jogava apenas playstation e os habituais jogos de futebol. Fiquei fã e nunca mais deixei de jogar, ano após ano fui adquirindo as novas versões.

POP: Passavas muitas horas a jogar e gostavas de explorar a base de dados do jogo em busca de possíveis craques, ainda desconhecidos da maioria das pessoas?

João Araújo: Sim passava muito tempo a jogar, principalmente em períodos de férias das aulas, autênticas noitadas. Contratava vários olheiros e enviava-os para todo o lado, para encontrarem esses desconhecidos, lembro-me de dois em especial, Radoslaw Kaluzny médio defensivo Polaco que jogava no Energie Cottbus e do avançado Gianni Comandini, Italiano que jogava no Vicenza e que se transferiu para o Milan.

Kaluzny
Kaluzny

POP: O André Villas Boas jogava CM, depois passou para scouting e análise e posteriormente para treinador. Alguma vez pensaste em ser treinador e ainda tens o objectivo de o ser a nível sénior?

João Araújo: Neste momento não tenho essa vontade, estou a desfrutar da minha função no futebol e ainda tenho muito que evoluir, muito para aprender. Não ter para já essa vontade, não significa que não me sinta preparado para a função, futuramente quem sabe.

POP: Que rumo gostarias que o FM tivesse no futuro? Continuar um jogo de estratégia táctica ou passar a algo mais gráfico, tipo Fifa?

João Araújo: Acho que o futuro do jogo passa por continuar a ser um simulador ligado à estratégia tática e que quem o jogue possa ter cada vez mais variáveis para controlar, mais decisões para tomar e que consiga criar identidade nas equipas que treina.

POP: Conta-nos uma história engraçada relativamente às tuas experiências com o jogo?

João Araújo: Lembro-me que ganhei a Champions a jogar num computador de um amigo que se tinha ausentado não me lembro bem porquê durante umas horas (o meu computador era antigo e super lento então matava o vício no computador dele), quando ele chegou disse-lhe que tinha ganho na final por 1-0 e que quem marcou foi um desconhecido, um tal de Luca Toni, fartamo-nos de rir vários vezes com esse nome, um desconhecido que se tornou referência anos mais tarde nas equipas em que jogou e na seleção italiana.

Resposta rápida

1ª edição?

CM 99/00

Edição favorita?

Não tenho uma preferencial

Liga favorita para jogar?

Portuguesa e Italiana

Equipa favorita para jogar para além do FC Porto?

Ajax e Inter Milão

O que preferes: Avaliação de capacidade Actual ou Avaliação de Potencial futuro? Avaliação de Potencial futuro

País onde gostarias de ir para analisar equipas?

Itália e Inglaterra

Posse, Kick and Rush ou misto?

Posse

Quem quiser seguir um pouco do seu trabalho, pode fazer em:
https://www.facebook.com/laboratoriodomister/

João Araújo no FM2018
João Araújo no FM2018

O que tens a dizer sobre isto?