Há saves de Football Manager em que se sobe de divisão ano após ano até chegar ao topo. Um grupo de amigos ingleses decidiu fazer isso a sério, com um clube próprio, fundado do zero.
Uma birra que virou clube
Em setembro de 1999, o Wimbledon atravessava uma crise grave, com os donos do clube a equacionar mudá-lo de cidade, o que acabaria por acontecer anos depois. Farto da situação, Marc White, adepto fanático do clube, decidiu ocupar os sábados de forma diferente. “Pensei: porque não começar uma coisa com os meus amigos e dar umas boas risadas? Foi assim que nasceu o Dorking Wanderers”, contou ao The Guardian.

Eram catorze amigos, cada um a pagar 50 libras para alugar um campo da câmara municipal. “Para o futebol amador de sábado em Inglaterra, qualquer nível serve. E foi assim que tudo começou”, recorda White, hoje presidente e diretor do clube.
Doze subidas depois
O que começou como brincadeira não parou de crescer. Título atrás de título nas ligas distritais, depois nas ligas do West Sussex, na Sussex County League e na Isthmian League, o Dorking Wanderers foi subindo a pirâmide do futebol inglês a um ritmo que nenhum dos fundadores esperava.
Em 2007, já com patrocínios e receitas a sério a entrar, construíram o seu próprio estádio, o Meadowbank, hoje com lugar para cerca de três mil adeptos. “Conseguimos 11 acessos em 19 anos, um recorde na Grã-Bretanha. É como se fosse o Football Manager da vida real”, resumiu Marc White. Na época 2021/22, terminaram em segundo lugar na National League South e subiram via playoff à National League, o quinto escalão do futebol inglês e o primeiro totalmente semiprofissional. Ao todo, o clube já contabiliza doze subidas de divisão desde a fundação.
O crescimento fez-se degrau a degrau: “Quando conseguimos o primeiro acesso, tivemos de colocar uma corda à volta do relvado, uma ‘barreira de proteção’ entre adeptos e jogadores. Depois vieram as luzes noturnas, os bancos, os assentos. Hoje temos um estádio para três mil pessoas”, contou White, entre risos.
De brincadeira entre amigos a caso de estudo
A primeira contratação a sério do clube foi Jason Prior, comprado ao Havant por 15 mil libras. “Precisávamos de um avançado de verdade, um matador, e os nossos patrocinadores toparam pagar por isso. Valeu a pena? Completamente”, elogiou White. Hoje o clube tem equipa reserva e uma escola de futebol com 1.150 crianças inscritas, a partir dos 4 anos, na pequena cidade de Dorking, com cerca de 12 mil habitantes. “Quando conduzo pela cidade, vejo pais e filhos com a camisola da equipa. O clube tornou-se o ponto de encontro da comunidade”, festejou.
Uma trajetória hoje usada como exemplo de como paixão e gestão séria podem transformar um clube de bairro num nome reconhecido no futebol inglês, sem nunca ter existido antes de um grupo de amigos decidir criá-lo.




