Os amigos que já subiram 12 vezes de divisão

Há saves de Football Manager em que se sobe de divisão ano após ano até chegar ao topo. Um grupo de amigos ingleses decidiu fazer isso a sério, com um clube próprio, fundado do zero.

Uma birra que virou clube

Em setembro de 1999, o Wimbledon atravessava uma crise grave, com os donos do clube a equacionar mudá-lo de cidade, o que acabaria por acontecer anos depois. Farto da situação, Marc White, adepto fanático do clube, decidiu ocupar os sábados de forma diferente. “Pensei: porque não começar uma coisa com os meus amigos e dar umas boas risadas? Foi assim que nasceu o Dorking Wanderers”, contou ao The Guardian.

Meadowbank, o estádio do Dorking Wanderers
Meadowbank, o estádio do Dorking Wanderers. Foto: Mertbiol (CC0), via Wikimedia Commons

Eram catorze amigos, cada um a pagar 50 libras para alugar um campo da câmara municipal. “Para o futebol amador de sábado em Inglaterra, qualquer nível serve. E foi assim que tudo começou”, recorda White, hoje presidente e diretor do clube.

Doze subidas depois

O que começou como brincadeira não parou de crescer. Título atrás de título nas ligas distritais, depois nas ligas do West Sussex, na Sussex County League e na Isthmian League, o Dorking Wanderers foi subindo a pirâmide do futebol inglês a um ritmo que nenhum dos fundadores esperava.

Em 2007, já com patrocínios e receitas a sério a entrar, construíram o seu próprio estádio, o Meadowbank, hoje com lugar para cerca de três mil adeptos. “Conseguimos 11 acessos em 19 anos, um recorde na Grã-Bretanha. É como se fosse o Football Manager da vida real”, resumiu Marc White. Na época 2021/22, terminaram em segundo lugar na National League South e subiram via playoff à National League, o quinto escalão do futebol inglês e o primeiro totalmente semiprofissional. Ao todo, o clube já contabiliza doze subidas de divisão desde a fundação.

O crescimento fez-se degrau a degrau: “Quando conseguimos o primeiro acesso, tivemos de colocar uma corda à volta do relvado, uma ‘barreira de proteção’ entre adeptos e jogadores. Depois vieram as luzes noturnas, os bancos, os assentos. Hoje temos um estádio para três mil pessoas”, contou White, entre risos.

De brincadeira entre amigos a caso de estudo

A primeira contratação a sério do clube foi Jason Prior, comprado ao Havant por 15 mil libras. “Precisávamos de um avançado de verdade, um matador, e os nossos patrocinadores toparam pagar por isso. Valeu a pena? Completamente”, elogiou White. Hoje o clube tem equipa reserva e uma escola de futebol com 1.150 crianças inscritas, a partir dos 4 anos, na pequena cidade de Dorking, com cerca de 12 mil habitantes. “Quando conduzo pela cidade, vejo pais e filhos com a camisola da equipa. O clube tornou-se o ponto de encontro da comunidade”, festejou.

Uma trajetória hoje usada como exemplo de como paixão e gestão séria podem transformar um clube de bairro num nome reconhecido no futebol inglês, sem nunca ter existido antes de um grupo de amigos decidir criá-lo.

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